Fatto di Moda

A História dos Materiais no Calçado

Na era pré-histórica, diversos aspectos da vida do ser humano eram muito diferentes do que são nos dias de hoje.

 Algumas tecnologias essenciais em nosso dia a dia, não tinham sequer sido inventadas ou dominadas pela humanidade, como a agricultura, a eletricidade e, claro, a internet. Outras habilidades e utensílios já existiam, mas de uma forma muito primitiva e rudimentar, como roupas, construção civil, ferramentas e, nosso assunto de hoje, calçados. Nessa época, em torno do ano 10.000 a.C., eles eram produzidos com couro e peles de animais, bem como madeira, folhas e cipós.

Em algumas sociedades antigas, os materiais usados em sua fabricação indicavam a posição social de quem os calçava. Por exemplo, no antigo Egito, as sandálias do faraó eram adornadas com ouro e as dos nobres produzidas com couro. Enquanto isso, as sandálias da população em geral eram palha, fibra de madeira ou papiro.

Com o tempo, a manufatura de calçados foi evoluindo lenta e gradualmente. Por exemplo, só ao final da Idade Média, por volta do ano 1.000 d.C., as técnicas de costura haviam sido dominadas e as primeiras regras britânicas de padronização do tamanho foram criadas, baseadas em medidas como polegadas e grãos de cereais.

 

 

 

 

A Revolução Industrial

Tudo começou a mudar com mais rapidez a partir do século XVIII. A Revolução Industrial e a criação das máquinas de costura passaram a permitir a produção em série de calçados. Nessa época os materiais utilizados ainda eram os tecidos, com solas de couro, madeira e fibras naturais, como cordas e cipós, trançadas. Já no final do século XIX, o desenvolvimento das solas de borracha vulcanizada e a substituição do couro pelo tecido no cabedal levaram ao surgimento dos primeiros sneakers, também conhecidos como tênis. Foi nesta época que marcas como Reebok, Adidas e Puma entraram no mercado. Também foi quando aconteceu a criação do All Star, um dos modelos de tênis mais famosos e que mantém praticamente o mesmo design desde então.

 

 

No início do século XX, o domínio da tecnologia de solados de borracha vulcanizada fez com que o couro finalmente deixasse de ser o material dominante na produção de calçados. Na década de 1930 isso foi ainda mais intensificado, devido a produção de adesivos a base de neoprene, que são usados até hoje, e de PVC. Como em muitas outras áreas do conhecimento humano, grandes evoluções em termos de adesivos ocorreram durante a II Guerra Mundial. Nesta época foram realizados os primeiros estudos de adesão de borrachas com isocianatos. O que permitiu que, nas décadas seguintes, fossem introduzidos o poliuretano e os adesivos a base de SBR ou borracha sintética.

 

Termoplásticos e adesivos

Na segunda metade do século XX, houve a consolidação de duas tecnologias fundamentais até hoje para a produção de calçados: os materiais termoplásticos, como TPU, TR, EVA e PVC, para injeção de solado; e os adesivos a base de poliuretano. Os cabedais dos calçados também evoluíram, com a introdução de materiais sintéticos de naturezas diversas, substituindo os tecidos naturais usados na primeira metade do século.

Os materiais termoplásticos trouxeram diversas vantagens para a manufatura de calçados:

- Custos de processamento reduzidos, pois dispensam a vulcanização da borracha;
- Utilização de injetoras, equipamentos mais simples que aumentam a produtividade;
- Redução de perdas, devido à capacidade de reciclagem desses materiais;
-Versatilidade no design, permitindo texturas complexas e com mais cores nas solas;
- Redução de peso, pois as borrachas vulcanizadas possuem alta densidade.

 

Por sua vez, os adesivos a base de poliuretano aumentaram significativamente a performance da colagem, em razão de sua alta resistência ao descolamento. Isso permitiu uma grande evolução em segmentos como os de calçados esportivos e de segurança, além de aumentar o conforto em calçados casuais. O surgimento dos primers e das tecnologias de preparação de superfícies contribuíram para essas evoluções, pois possibilitaram a adesão de diversos materiais que vieram a ser usados na segunda metade do século.

 

 

 

Atualmente, os materiais mais utilizados em solados são os termoplásticos. A borracha vulcanizada também é bastante presente em calçados de alta performance, devido a exigências de desgaste localizado, fricção e travamento. Já os calçados de alto padrão, por questões de design e valor agregado, ainda usam solados de couro.

 

Sustentabilidade

Com o advento dos termoplásticos, reduziu-se muito as perdas dentro das áreas produtivas, por questões de reaproveitamento de perdas dos materiais que são recicláveis. Por exemplo, reduziu drasticamente a quantidade de aparas de palmilhas e solados laminados de borracha em lixões ou terrenos baldios de cidades produtoras de calçados.

 

 

 

 

Quanto aos adesivos, a maior preocupação é relacionada com a emissão de solventes durante a evaporação das colas. Os mais agressivos ao meio ambiente, como éter, tolueno e benzeno, vem sendo substituídos por sistemas a base de água, que são muito mais sustentáveis.

 

O futuro

Para o futuro do uso de materiais no calçado, se intensifica a preocupação com a sustentabilidade, com a performance e com as tecnologias de montagem dos componentes.

Uma nova tendência que deve chegar ao mercado em breve é a do calçado sem cola ou “glueess shoe”, que visa simplificar a necessidade de se “desmontar” o calçado para fins de aproveitamento dos materiais. A sola é montada com o cabedal por sistemas de fixação alternativos, como encaixes, amarras ou outros sistemas construtivos. Isso ainda traz versatilidade para o cliente, que pode combinar montagens de cabedais com solas diferentes para cada ocasião. Outra tendência é a redução do uso de recursos energéticos e etapas no processo de produção, além da automação dos mesmos.

O avanço da tecnologia da biomecânica também fará com que materiais de alto desempenho, como TPE, EVA e TPU, ganhem cada vez mais importância. Esses componentes começam a ser desenhados a partir de materiais cada vez mais específicos, capazes de desempenhar uma série de funções, tais como alongar, flexibilizar e absorver deformações, resistir a desgaste e proporcionar travamento nos mais diversos terrenos.

No futuro, a evolução dos materiais vai levar a produção de calçados cada vez mais específicos e personalizados para todas as faixas etárias e biotipos, bem como para a prática de esportes específicos, em terrenos distintos. Tudo isso exigirá materiais mais versáteis, mais fáceis de produzir e mais recicláveis.

 

Fonte: Ciência dos Materiais - Grupo FCC

 

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